Sábado, Julho 15, 2006

Inveja de cubano e de norte-coreano

Puta que pariu. Eu acho uma merda essa galera que fica dizendo "ai, eu não gosto de filme brasileiro, não... tem muito palavrão". Muito palavrão? E daí, porra?! Vai dar esse teu cu preto. Eu num vejo porque é uma bosta mesmo.
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Eu não tenho vergonha nenhuma de admitir. Eu sinto inveja. Sinto, sim. Eu gostaria de ganhar a vida fazendo o que gosto. Ganhar dinheiro tendo prazer no que faz. Como Tom Waits ou Vinícius de Moraes. Como o Tim Maia - se bem que, veja como ele acabou: decadente e decrépito. Ou mesmo como o Marcelo Mirisola, que é um loser total, mas ao menos segue a sua vocação. No final das contas, eu nem ganho dinheiro nem faço o que gosto. É foda. Que solução me resta, fora ganhar na loteria (tá acumulada, hora de jogar!)?
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Falar mal dos enredos patéticos e repetitivos das novelas, criticar a seleção de Parreira (antes do fiasco contra a França), detestar ver filme dublado, achar que Brasília é um erro histórico, considerar ridícula a decoração da Copa, ter a opinião de que JK é um dos piores presidentes que este país já teve, admirar a grandeza e a originalidade da sociedade americana (e não se referir a ela como "norte-americana"!), preferir Halloween a Carnaval, afirmar que Buenos Aires é a capital mais charmosa da América do Sul... são todos atos sujeitos a pena de paredón, considerados como crimes de idéia pela patrulha ideológica de plantão! Que leiam a porra da Declaração Universal dos Direitos Humanos, caralho! Eu sei o que eles gostariam - opinião única! Eu também: a minha!
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O que é que eu e o gari, ou a empregada, ou o motorista de ônibus temos em comum além do mesmo passaporte? Ah, eles não têm passaportes...

Terça-feira, Junho 20, 2006

Brasil é auto-suficiente em cocô


Depois de ser criado o nicho de mercado voltado para o consumo de cocô, de diferentes origens e nas suas mais variadas formas, esse setor da economia vem se consolidando como uma das maiores empregadoras no Brasil. Em pesquisa do Ih!Peia, os números indicam que já a partir do mês de maio de 2006 o Brasil deve tornar-se auto-suficiente na produção do gênero fezento. Não tardará, portanto, conclui o estudo do renomado cagado instituto, até que o país se consolide como líder no mercado mundial de merda e afins.

Outro estudo, dessa vez da EmBraCaga, empresa pública voltada para a pesquisa e desenvolvimento da tecnologia bostal, aponta para a alta qualidade da merda nacional. "O Brasil atingiu tal nível na qualidade do cocô, que somos capazes de atender as mais variadas demandas do setor bostífero", explica o estudo, que ainda ressalta o valor ecológico e nutricional do produto.

O Governo Federal não perdeu a oportunidade de faturar em cima de mais esse avanço econômico. A Bunda Merdonça Propagandas já prepara uma campanha para exaltar a conquista. Resta dúvida quanto ao slogan a ser usado - "A merda é nossa" ou "Merda - ame-a ou deixei-a". Enquanto isso, a MerdaBrás inaugurou a pedra fundamental da obra (sem trocadilhos!) da primeira refinaria de cocô do mundo (em Pernambuco, claro!), ocasião na qual o Presidente-candidato Luís Cagaço Lula da Sílvia melou sua mão de merda e deixou marcada no fraldão usado pelos trabalhadores - "eis a marca indelével do progresso social e econômico promovido pelo meu governo", exclamou o presidente diante de uma platéia entusiasmada, que respondeu com muitos aplausos, e peidos. Parafraseando uma frase proferida por um ex-presidente americano, o nosso líder latino-americano concluiu: "não pergunte que merda o seu país pode fazer por você, e sim que merda VOCÊ pode fazer pelo seu país!".

A oposição tucano-pefelê reagiu de maneira indignada diante do que chamaram de "uso eleitoreiro de uma conquista que é de toda a sociedade brasileira". "O Lula é uma cagão", resumiu o sempre diplomático e amável senador Arthur Virgemlio, na tribuna do Senado. "A gente sempre fez merda a vida inteira, e agora ele quer tomar o crédito todo para si. Isso é um absurdo! Impeachment já!", bradou o senador Jorge Bostahausen. O deputado Roberto Freira, a santa, atacou - "a merda do Lula é neoliberal! A autêntica merda esquerdista é a minha!", disse ele, na convenção do partido que decidiu pela aliança informal com a coligação conservadora. Já o candidato tucano, Geraldo Aiquemerda, declarou da forma mais enfática que ele é capaz: "Eu (...) sou o melhor gerente (...) para o cocô. Olha só nossos 12 anos (...) em São Paulo. Ninguém gere (...) excremento como eu".

Segunda-feira, Maio 29, 2006

Cada macaco (cagando) no seu galho


Meu irmão, pra que dizer as coisas? Pra que expressar-se? Pra que opinar, marcar posições? De que serve tudo isso? Cria-se conflitos, e não se resolve nada. Até porque eu sempre tenho a razão mesmo. Cada um fale o que quiser, aceite a "verdade" que melhor lhe convir. Que seja a versão da Veja ou a da CartaCapital. Ou, se quiser demonstrar isenção e independência, há nas bancas a possibilidade de optar por uma perspectiva alternativa, comprando a Caros Amigos. Tem pra todas as cores do espectro político, incluindo o rosa-choque e o arco-íris, e o marrom, que tem sido a cor predominante há um bom tempo. Há religiões, seitas, estilos de vidas variados que podem prover-lhe uma verdade que o permita viver sossegadamente. Não há questionamentos profundos ou dúvidas existenciais - o dogma de sua preferência tem resposta pra toda essa lenga-lenga, e os problemas superficiais a cultura de massa, mainstream, trata de criá-los! Ôpa, a Copa do Mundo começa dentro em breve! E logo depois vêm as eleições! Uou! E não se desespere, pois logo em seguida começa a temporada natalina, paz e amor, e um monte de cesta básica para os mais "humildes". E Ano-Bom... Carnaval... O bom é que o sistema capitalista nos permite essa gama variada de opções de visões de mundo diferentes e interesses variados que podemos consumir.

No fim, eu é que estou certo. Eu estou certo pra mim. Na forma sensata como eu vejo o mundo, eu estou certo e outro, errado. Simples assim.

Então, alguém me explique: pra que diacho eu precisaria argüir com outrém para explicar-lhe os fundamentos da minha visão de mundo? Isso é irrelevante, dispensável, inócuo, inútil. Justamente porque ela é minha visão de mundo. Ninguém precisa entender minha visão de mundo. E nem eu preciso entender a dos outros. E vá à merda com o seu relativismo cultural. (Coisa de antropóloga sapatão mal-resolvida, ou mal-comida, o que dá no mesmo.)

E a minha visão de mundo plenamente justifica o meu lugar no mundo. Eu estou onde estou porque sou como sou. Sou onde/como estou, estou onde/como sou. Se eu não estou alhures, é porque assim não desejo e, se o quisesse, não seria eu, eu seria outro - e eu seria outrém, alhures.

É isso! Cada macaco no seu galho... Cada macaco CAGANDO no seu galho... quem estiver em baixo que se foda, ou que arrume um dogma que torne a experiência agradável, ou, ao menos, aceitável. Eu tou mais pro alto mesmo. Cai pouca merda na minha cabeça, e o excesso eu jogo pra baixo.

Terça-feira, Abril 25, 2006

acúmulo de merda sacra, amém ménem neném além aquém



Por que não podemos ser apenas amigos? Why can't we just get along? Por que não podemos nos dar as mãos e, respeitando nossas direnças e divergências, enfatizar aquilo que compartilhamos em comum, tudo aquilo de mais humano que transcende as contruções histórico-ideológicas e culturais e que nos faz igual aqui ou na Conchinchina?

Pois é. A intolerância é a mãe de todas as guerras. A religião é o pai. A Opus Christi, essa instituição de grande contribuição ao progresso e ao bem-estar da Humanidade, segue na sua cruzada contra a imoralidade e a blasfêmia. Assim como o que há de mais vanguarda nas modernas sociedades islâmicas, a tão necessária Opus Christi quer acabar com os conflitos - acabando com as diferenças. Para tornar o mundo melhor, todo mundo tem que pensar igual. Faz sentido.

Depois de sua vitória contra a exposição de arte erótica no CCBB do Rio, fazendo a curadoria tirar da mostra uma obra ofensiva e de muito mal gosto, que todas as dezenas de centenas de milhares de pessoas que comparecem a essa instituição já haviam visto e em seguida saíram deturpardas e moralmente inferiores. A imprescendível Opus Cristi evitou que o mal se alastre.

E segue na sua corajosa, quiçá quixotesca, busca incessante por um mundo mais puro. E vai, agora, fechar também esse blogue, cujo grande acúmulo de merda sacra é certamente herético, blasfemio. E vai poluir a mente de todos os nossos inúmeros (um sem-número, realmente) de leitores.

Quarta-feira, Abril 19, 2006

Spinach Rules # 57

sabe, tem sempre uma regra
não necessariamente a regra do Homem nem a de um aristótles qualquer
não são aqueles fatores econômicos que deixam pouco espaço para decisões
ditadores da cortina de ferro já passaram, os bastardos de hoje são reconstituições
com especialistas dizendo que botão apertar
pacifistas fazendo paz em uma santificada porém perseguida existência
alegres e marchando em favor de uns sonhos recentes

há sim uma regra
talvez escondido num holiday inn
um daqueles com um grande aquário de piranhas vivas
onde uma vez eu ví um neo-vitoriano recitando um teorema dos velhos românticos
cantando pureza de ideais perdidos. eles não vêem mais
ou o velho livro e o consequente conforto
"conheca as regras e viva seu destino velho chapa"
meu comforto é saber que é uma perda de tempo aquela antologia de chantagens morais
com medo que doa o ardor do julgamento divino

mas em algum lugar deve haver uma regra
desenroscada da flauta de pan ou assediada por um suave arpeggio da velha viúva
todas as visões de sonhadores mortos vivem
mas só podemos as sentir durante aquele momento que esquecemos de perceber

.sakura

Quarta-feira, Abril 12, 2006

Ajudando a menininha pobre, sem hipocrisias

Hoje estava esperando o sinal abrir para atravessar a rua. Lugar muito propício para encontrar pobres. E pretos. Não deu outra. Ao meu lado param uma mãe e uma filha. A menina deveria ter os seus 7 ou 8 anos. Meio gordinha, aquela gordura de pobre, que você logo percebe que é antes alimentação desregulada do que excesso de comida. Estava "arrumada", ou seja, usava um vestido rosa em duas peças, com o buxinho aparecendo, e um par de botas da mesma cor - quer dizer, estava brega de doer. Ela dançava, seguindo uma coreografia de alguma dessas danças ditas populares que tocam nesses programas dominicais de auditório que essa gente costuma assistir e de onde retiram suas "referências culturais". Ao seu lado, a mãe, carregando duas sacolas entupidas de bregueços. Barriguda, certamente aparentava uma idade bem superior à que realmente deveria ter - geralmente esse fenômeno ocorre com essa escumalha, que não se cuida e realiza trabalhos degradantes, braçais.

A cena era deprimente, e o contexto onde ela ocorria, nos arredores da Rodoviária de Brasília, apenas tornavam o todo ainda mais feio. Que asco.

Não me contive. Decidi ajudar aquela garotinha condenada a priori.

Aproximei-me. Ela interrompeu repentinamente sua dancinha ridícula, e olhou-me assustada. A mãe tentava me olhar por entre as suas sacolas, sem poder fazer muita coisa.

Eu disse:
- Com licença. Minha filha, olhe, pare dessa dança, está ridícula. Você é jovem, ainda tem tempo. Você é feia, pobre, brega e escurinha... Ao invés de ficar fazendo essas coreografias babacas, aconselho que enfies a cara nos livros. Estude. Estude pra caralho. É a única chance que você tem de se tornar algo nessa vida. Se não seguires minha sugestão, vais terminar lascada... como tua mãe.

O sinal abriu. Atravessei a rua, realizado, com aquela maravilhosa sensação de dever cumprido. Esse é o melhor método de promover mudança social - dando a real. Eis o meu slogan. E que se foda a auto-estima alheia - encare a vida, encare os fatos. Assim pretendo dar a minha contribuição ao inexorável processo de aperfeiçoamento da humanidade.

Quinta-feira, Março 23, 2006

Meio-peido não dá

Peido barulhento e que não fede é como cerveja sem álcool ou cigarro light ou comida diet. É o meio-termo inócuo. Só mesmo o ilustríssimo vossaexcelência ex-terceiro colocado na linha sucessória, nosso conterrâneo e meu xará Severino Cavalcanti, é que era meio-virgem - mas trata-se de um caso à parte, a exceção que comprova a regra.

Se é pra peidar, que seja pra se foder. Tem que ser fedorento e, de preferênciam, silencioso, discreto.

Aquele peido alto, que, via de regra, não fede, é o pior dos mundos. O peidão se constrange perante a sociedade, leva a fama - por um nada. É como fumar tabaco no Brasil (onde não há essa tradição). Quem vê lá você preparando o seu cigarrinho, acha logo que é maconha. Você fica taxado de maconheiro, e nem fica chapado! Tremenda injustiça.

Que o peido seja silencioso, sorrateiro, enquanto desagradavelmente mal-cheiroso, é um ato de autonomia individual diante da imposição cultural da sociedade. Este ato de rebeldia, de desobediência civil, representa a prevalência do livre-arbítrio ante o controle social imposto. Quem disse que peidar é errado? Trata-se de manifestação fisiológica natural e necessária dos animais. Prender peido faz mal pro corpo. E negar peido é moralmente aceito porque o cidadão deve proteger-se da incompreensão a respeito desse seu direito inalienável de peidar.